...ditos, mitos & ritos...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

OUTUBRO II _ HALLOWE'EN...

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.Como tem sido hábito, publica-se aqui uma selecção de excertos de diversas fontes sobre os temas que vão surgindo, geralmente por ordem cronológica e tendo os meses do ano como "separadores" primordiais pois tratando-se de ritos que muitas vezes enraízam nos primórdios das civilizações/culturas, têm muito a ver com as sequências temporais _ entre outras _ ditadas pelo movimento dos astros.
Claro que aqui predominará a perspectiva de quem se encontra no hemisfério norte (o que implica alteração de seis meses nos nomes e celebrações de alguns festejos, relativamente ao hemisfério Sul...)



OUTUBRO II _ HALLOWE'EN...


"Origem e tradição

"Na Irlanda do século V (a.C), o dia 31 de Outubro fazia parte de um conjunto de quatro datas comemorativas do calendário celta que marcava a transição das estações, o período de plantação e colheita, e o ciclo vital da Terra. A primeira data era celebrada no dia 2 de Fevereiro (conhecido como O Dia da Marmota), em honra da deusa da cura Brigith. No mês de Maio celebrava-se o Beltane, considerado o dia em que se iniciava a temporada de semear. Nesta data realizavam-se rituais de fertilidade e prosperidade para incentivar o crescimento da lavoura. A terceira data ocorria em Agosto: a festa da colheita em reverência ao deus sol Lugh. Finalmente, no dia 31 de Outubro celebrava-se um feriado denominado Samhaim, que marcava o final do ano celta em honra ao deus pagão Samhain (Senhor dos Mortos), também o fim do Verão e início do Inverno.

A expressão Halloween tem origem na contracção errónea da expressão inglesa All Hallows Eve (que s
ignifica Véspera de Todos os Santos). Esta data foi instituída pelo Papa Bonifácio IV, e era celebrada no dia 13 de Maio. Porém, em 835 o Papa Gregório III alterou o Dia de Todos os Santos para o primeiro dia de Novembro. A sua intenção era unir as crenças cristãs e pagãs, aproximando as datas comemorativas. Outro objectivo do Papa seria apaziguar os conflitos entre esses povos no noroeste europeu. Assim, os cristãos celebravam o dia dos santos falecidos no dia posterior ao rito pagão do Senhor dos Mortos. Desta forma, a expressão Halloween tornou-se sinónimo da celebração pagã de 31 de Outubro.

O Samhain é cercado de mitos e crenças que influenciavam a cultura dos povos europeus desde o período pré-cristão. Nesta data, os Druidas (sacerdotes celtas) reuniam-se e realizavam rituais dançando em torno de uma fogueira e supostamente oferecendo o sacrifício de animais. O caldeirão também era utilizado simbolizando o útero e a abundância da Deusa Mãe.
Neste dia, acreditava-se que todas as relações de tempo e espaço ficavam suspensas, pois o dia 31 de Outubro não pertencia ao ano velho nem tampouco ao novo ano que se iniciava. Desta forma, os espíritos desencarnados podiam regressar ao mundo dos vivos e apossarem-se dos corpos destes. Para evitar esta aproximação, era comum apagar todas as tochas e fogueiras das aldeias, de modo a que o ambiente ficasse escuro, frio e hostil. Os habitantes vestiam-se com trajes fantasmagóricos e vagueavam pelas ruelas em desfiles barulhentos, a fim de amedrontar e espantar os espíritos que procuravam corpos a serem possuídos.
Outro costume da tradição celta consistia em oferecer alimentos aos espíritos malignos para que estes não interferissem negativamente em suas vidas. Com o passar do tempo esta prática foi modificada, e os alimentos eram dados aos mendigos. Em troca, estes oravam pelas almas dos entes mortos dos aldeões. Na Irlanda eram organizadas procissões para angariar oferendas entre os agricultores. Aqueles que se recusassem, teriam as suas colheitas amaldiçoadas pelos espíritos; uma chantagem que originou o Trick or Treat (travessuras ou doces). Quando este costume foi levado pelos imigrantes irlandeses para a Nova Inglaterra (Estados Unidos), as principais travessuras baseavam-se em escrever nos muros das casas e a retirar a tranca dos portões.
A partir do século IX, os cristãos europeus adoptaram uma prática semelhante denominada Souling. Naquela época, acreditava-se que as almas dos mortos permaneciam um certo período no limbo e só alcançariam o reino divino através de muitas orações. Assim, no dia 2 de Novembro os cristãos deambulavam pelas vilas oferecendo orações pelas almas dos mortos. Em troca, os familiares davam tortas de pão com groselha chamadas Soul Cakes. Além dos cristãos, os romanos também absorveram influências da religiosidade celta. Mas à medida que a ideia das possessões foi perdendo espaço, o conceito que envolvia a crença foi transformado numa tradição folclórica.

Actualmente, o Halloween é um evento essencialmente comercial inserido em vários países. Mesmo tendo origem na Europa, a sua popularização deve-se principalmente à influência da cultura norte-americana em todo mundo. Em termos comerciais, é uma das datas mais lucrativas, onde existe um crescimento considerável nas vendas de fantasias, máscaras e outros artigos relacionados.

Abóboras, gatos e fogueiras

A mais famosa referência do Halloween é a abóbora oca, com orifícios cavados e aparência demoníaca, denominada Jack-o'Lantern. A sua origem está presente no folclore irlandês. Segundo a lenda, um homem chamado Jack, notório beberrão e trapaceiro, esculpiu uma cruz no tronco de uma árvore, prendendo o diabo em cima dela. Assim, Jack firmou um contrato com o Diabo: se ele nunca o atormentasse, Jack apagaria a cruz do tronco e deixá-lo-ia descer da árvore.
Depois de Jack morrer, a sua entrada no Céu foi recusada devido ao seu pacto com o Diabo. No inferno, também não foi aceite devido às suas trapaças. Porém, o Diabo concedeu a Jack uma única vela para iluminar os seus caminhos. A sua chama teria que ser preservada eterna
mente; então Jack colocou-a dentro de um nabo oco, e esculpiu alguns furos para dar passagem à luz emitida pela chama.
Daí que, originalmente, as Lanternas de Jack eram feitas com nabos. Mas quando os imigrantes irlandeses aportaram aos Estados Unidos em 1840, encontraram as abóboras _ que foram consideradas muito mais adequadas. Desta forma, a abóbora tornou-se o principal símbolo contemporâneo do Halloween.


Outros símbolos também tiveram origem na tradição celta, principalmente nas crenças dos sacerdotes druidas. Por exemplo, o período da lua cheia era considerado favorável para a realização de determinados rituais.
Para os druidas o gato era um animal místico. Acreditava-se que as feiticeiras maléficas poderiam transferir a alma para os seus corpos. Assim, muitos felinos eram sacrificados quando havia a suspeita de serem "feiticeiras camufladas". Os seres humanos que praticavam perversidades eram transformados em gatos como meio de punição, segundo esta crença.
O morcego também adquiriu a reputação de possuir forças ocultas, pela sua habilidade em perseguir as suas presas no escuro. Este mamífero também mantinha as características dos pássaros (no ocultismo, símbolo da alma) e dos demónios (por ser nocturno). Na Idade Média, acreditava-se que os demónios se transformavam em morcegos.
Máscaras e fantasias eram utilizadas para afugentar entidades maléficas. Além de alterar a personalidade do utilizador, possuíam a propriedade de ligá-lo aos mundos espirituais. As cores mais comuns no Halloween são o laranja e preto pois estavam associadas à missas em favor dos mortos celebradas em Novembro. As velas de cera de abelha tinham cor alaranjada, e os caixões eram cobertos com tecidos pretos.
Nas celebrações do Samhain, os druidas construíam grandes fogueiras denominadas Bonfire (ou Bonefire, Fogo de Ossos), e supostamente queimavam vivos prisioneiros de guerra, criminosos e animais. Acreditavam prever o futuro através do fogo observando a posição dos corpos em chamas." (Por Spectum )

E passamos já a um artigo de Philippe Walter, professor catedrático de literatura Francesa da Idade Média junto da Universidade Stendhal de Grenoble, que também se debruçou sobre esta mesma celebração, com interessantes referências históricas:


As festas de Todos-os-Santos, Samhain e Hallowe'en

(In <>, Jornal do Festival intercéltico de Lorient, França, Outono de 1997)
"Há dois anos, o ritual de Halloween chegou até à França, com a velocidade de uma campanha comercial cuidadosamente preparada. Desde aquela data, as abóboras esvaziadas de miolo tinham deixado os « pubs » irlandeses ; aqui temos agora um verdadeiro mercado de Halloween, com os seus disfarces e os seus acessórios que invadem o imaginário das crianças; no entanto, por detrás dessa operação de marketing, há uma festa que remonta aos promórdios da memória céltica.
Sem ser uma invenção de intelectuais em busca dos fantasmas culturais, o imaginário celta possui uma inegável realidade. E continua a viver debaixo dos nossos olhos. Basta estarmos atentos aos seus ritmos e às suas imagens, vindas das eras remotas. A maior parte das festas, que ainda continuam a pontuar o nosso calendário, remontam às velhas celebrações rituais medievais, que por seu lado, já então constituíam o resíduo assimilado pelo cristianismo dos antiquíssimos cultos célticos. Também existem mitos a acompanhar aquelas festas. Nos tempos primitivos, todos eles constituíam o alicerce das crenças religiosas dos povos celtas.










Graças às mitologias, começamos a ter uma melhor compreensão das suas estranhas ressonâncias.
Se os Bretões dão ao mês de Novembro o nome de miz du, o « mês negro », é porque o declínio da trajectória solar e a invasão da noite marcam o fim da estação clara e o início do Inverno. No intervalo entre as duas estações (no dia 1 de Novembro) situa-se uma festa que os irlandeses denominam « Samhain ». Ao longo do período medieval, esta festa ia transformando-se na de Todos-os-Santos, que precede a comemoração de todos os Finados (dia 2 de Novembro). Porquê ?
A noite de 1 para 2 de Novembro marcava para os antigos Celtas o começo de um ano novo. Os Celtas pensavam que, nesta noite, as portas do outro mundo estavam abertas. Assim, os vivos podiam penetrar, impunes, no mundo do além, enquanto os espíritos dos defuntos e as fadas invadiam, por um tempo, o mundo dos humanos. Este intercâmbio entre os dois mundos, esta circulação das almas está patente em numerosas lendas referentes à comemoração de Todos-os-Santos, e até se pode dizer que este trânsito momentâneo seja o âmago de todo o imaginário celta. Num dos antigos textos mitológicos irlandeses,
Samhain é a data fatídica durante a qual o herói Cuchulainn pretende capturar dois pássaros brancos num lago. Sem desconfiar de nada, o homem atira o seu dardo e este atravessa a asa duma dessas criaturas, mas mesmo assim, os dois pássaros escapam-lhe, desaparecendo debaixo das águas. Então, Cuchulainn desespera e acaba por adormecer. Entretanto, duas mulheres aproximam-se dele para lhe bater, forte e feio, deixando-o num estado letárgico por um ano. Com efeito, os dois pássaros, ou antes, as duas mulheres-pássaros, eram fadas, quer dizer, deusas do outro mundo, vindas para vingar-se de Cuchulainn pela da injúria que tinham sofrido. Foi assim que na altura de Samhain, momento fatídico, o herói Cuchulainn encontrara as deusas do outro mundo, para sua infelicidade.
Esta narrativa antiga, em que acabamos de reconhecer o tema do Lago dos Cisnes, que o bailado de Tchaikovski tornara célebre, comprova a sobrevivência medieval das velhas crenças célticas de Samhain. Obviamente, o cristianismo medieval procurava assenhorear-se dessa remota festa céltica. Em 737, o Papa Gregório III teve a rica ideia de um ofício religioso em homenagem a todos os santos que não podiam ser festejados no decorrer dos restantes dias do ano. Assim nascera a ideia da festa de Todos-os-Santos, no entanto, sem receber logo uma data fixa. Por isso, foi preciso esperar pelo ano de 837, em que o rei Luís o Bonacheirão ou Piedoso ordenara que aquela festa de Todos-os-Santos fosse celebrada no dia 1 de Novembro, na Gália e na Germânia. O Dia dos Finados (ou comemoração dos defuntos) só seria instaurado muitos anos mais tarde, remontando até aos finais do século X, altura em que um abade do mosteiro de Cluny convidou todos os conventos daquela mesma obediência a rezar no dia 2 de Novembro para o descanso das almas do Purgatório.
Para o cristianismo, as duas festas, a dos Santos e a dos Finados são manifestamente separadas mas, no espírito popular, ambas se confundem pois as duas servem para ocultar os resquícios da remota festa céltica das almas regressadas do mundo de Além e das fadas.
Nos nossos dias, a noite de Todos-os-Santos continua repleta de lendário arcaico.
(...) A festa americana de Halloween, na noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro, recupera directamente a antiga memória céltica das almas regressadas do outro mundo, segundo a tradição de Samhain. Não se diz que é possível vermos, naquele dia, as bruxas a voar nas suas vassouras, à luz do luar ? Disfarçadas para evocar as almas dos defuntos regressadas ao mundo dos vivos, as crianças vão dando a volta pelas casas de habitação, empunhando abóboras iluminadas com as velas acesas. Apesar de ter-se tornado num domínio reservado às crianças disfarçadas em bruxas e afins, a festa de Halloween continua a provocar arrepios, mais especialmente quando se conjuga com as diversas adaptações cinematográficas delirantes.
Lembre-se também que foi na noite de Halloween que apareceu na terra E.T., o extra-terrestre, no filme de Steven Spielberg. Tratar-se-ia de uma mera coincidência ? Não, com certeza, porque a alma celta não morrera nos nossos mitos modernos. Ela continua a viver, sustentada por todos os fogos, às vezes, infernais, mas sempre mágicos. "



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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

OUTUBRO.I _ RITOS DE OUTUBRO

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...RITOS DE OUTUBRO...


Em "DITOS, MITOS & RITOS", dá-se destaque nesta página, tal como sucedeu relativamente a meses anteriores, a uma listagem de RITOS associados a, ou simplesmente tendo lugar tradicionalmente em, OUTUBRO. Não existe critério especial para além da sequência cronológica na sua apresentação, tal como se encontrava online ( cultodavidapormerlin ):


(* _ Também como anteriormente sucedeu, e em consideração para com os mais cerrados adeptos da Igreja Católica Apostólica Romana, a de maior implantação e ainda quase institucionalizada entre nós, não uso o termo RITUAL, propositadamente para estabelecer a devida distância, aos olhos de quem vê qualquer outra crença como "pagã". Para além desse facto, recorda-se a abundância de informação difundida sobre os calendários litúrgico e hagiográfico respectivos, pelo que não são incluídos aqui.)







AGENDA
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Calendário Lunar


Em Outubro:



7 de Outubro - Ano Novo na Suméria, em honra a deusas como Ishtar e Astarte.


11-13 de Outubro - A Thesmophoria, festival exclusivamente feminino em honra a Deméter e a Kore na Grécia.


12 de Outubro - Fortuna Redux, uma celebração às jornadas Felizes, em Roma.


14 de Outubro - Durga Puja, ou Dasain, no Nepal, Bangladesh e Índia, em honra à vitória de Grande Mãe Durga sobre o mal.


15 de Outubro - Em Roma, purificação da cidade.


16 de Outubro - Lakshmi Puja, ou Diwalii, o Festival das luzes, na Índia; Lakshmi.


18 de Outubro - A Grande Feira dos Cornos na Inglaterra, homenageando o deus Cornudo.


21 de Outubro - Dia de Orsel ou Ursula, deusa lunar eslava.


22 de Outubro - Dia dos Salgueiros, festival mesopotâmico de Belili ou Astarte.


25 de Outubro - Na China, Festival de Han Lu, deusa da Lua e das Colheitas.


26 de Outubro - Festival da Lua Cheia de Hathor no Egipto.
Festival inca dos mortos, Ayamarca, neste período.










"Outubro: Lua De Sangue

/ A Lua da Cura



Curar-se não é apenas livrar-se de uma doença. É também entrar em harmonia com seu corpo, com seus órgãos, com seu ritmo, e conservar seu organismo em equilíbrio. O primeiro passo é o controle da respiração. Inspire e expire consciente dos seus movimentos, da entrada e saída de ar dos pulmões. Todas as noites, antes de dormir, procure visualizar seus órgãos internos. Imagine seu coração batendo, o estômago em movimentos suaves para realizar a digestão, o fígado filtrando o que é bom para o organismo. Evite comer coisas que fazem mal, abstenha-se das bebidas alcoólicas e modere quaisquer tendências a exageros. Com o tempo vai perceber que é possível "ouvir" o seu organismo e dificilmente será vítima de uma doença inesperada. Comer uma folha fresca de sálvia/salva todos os dias também vai ajudar a manter a saúde em ordem." (ritoseditos-merlin-09-02-2006)




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consoling

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