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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

AGOSTO.I ...Mês.Dos.Eclipses...










AGOSTO.I
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...Mês.Dos.Eclipses...

Tal como se anunciava na página anterior, Agosto presenteia-nos, este ano, com dois eclipses:
I _ Eclipse total do Sol, em 1 de Agosto

II_ Eclipse parcial da Lua, em 16 de Agosto
Conforme já foi referido, há circunstâncias especiais para que seja quase uma excepção a ocorrência destes dois eventos, quando, teoricamente, todos os meses haveria, supostamente e em princípio, dois eclipses tendo por protagonistas o Sol, a Terra e a Lua; não o repetiremos, por conseguinte. Claro que nem todos os lugares do globo poderão usufruir da visão, total ou parcial, de cada um destes eclipses.

Por exemplo, no que se refere ao Eclipse do Sol, este terá uma grandeza máxima = 1,039, considerando o diâmetro do sol como unidade.
Será visível na Europa exceptuando-se a Península Ibérica e a metade ocidental da Itália; na Ásia, com excepção das zonas leste e sudoeste da Península Arábica, e no extremo nordeste do Canadá. A faixa da totalidade atravessa o norte do Canadá, a Gronelândia, a Sibéria, a Mongólia e a China.

No que respeita ao Eclipse parcial da Lua, a sua grandeza será = 0,813, considerando o diâmetro da Lua como unidade.
O começo da fase de sombra será visível em África, na ilha de Madagascar, na Europa, na metade ocidental da Ásia, no Oceano Atlântico e no Oceano Índico.
Em Lisboa a Lua nasce às 19h 21m.





Conforme tinha prometido, vou avançar um pouco mais sobre o modo como o homem tem reagido à existência destes fenómenos, hoje em dia quase perfeita e calmamente aceites por todos. Seguem-se excertos de textos de pesquisas feitas "por aí", que passo a apresentar:



"O homem sempre encarou o Sol com respeito e reverência, não só por ser visto como a fonte de energia que providencia toda a vida, mas também pela sua constância e a fiabilidade inflexível do ciclo de dia e noite. O ciclo diurno acabou por constituir o padrão evolucionário de todos os seres vivos, de tal modo que eles reagem ao pôr e ao erguer do Sol como se fossem remotamente controlados pelo próprio Sol. O ocaso e a aurora acabaram por tornar-se os reguladores naturais dos nossos períodos de actividade e de descanso. Não é, por conseguinte, surpreendente que o Sol acabasse por ser tratado com tanto respeito e até venerado pela segurança que inspira. E é precisamente devido à invariabilidade do ciclo de movimento do sol através do céu que nos tornamos sensíveis a qualquer interrupção que ocorra.

Nos tempos em que os eclipses solares não eram ainda entendidos, estes fenómenos eram causa de grande alarme e geralmente eram atribuídos a agentes sobrenaturais.
Entre
os Romanos, houve um tempo em que o facto de se dizer abertamente que poderiam ser devidos a causas naturais foi considerado uma blasfémia e uma ofensa em termos legais.
Um eclipse solar total é, na verdade, um facto inspirador de certo respeito, até para astrónomos experientes. O cenário vai-se transformando pelo gradual enfraquecimento da luz do sol, enquanto a lua se vai deslocando através do disco solar, mesmo que o céu se mantenha claro e azul. Ainda antes que o eclipse atinja a sua totalidade, a sombra pode ser observada a progredir a uma velocidade de 200 milhas/hora e o ar torna-se estranhamente silencioso. À medida que a escuridão surge e passa, sente-se um impulso involuntário de nos encolhermos e baixarmos, até a sombra passar; um olhar para o sol revela as proeminências avermelhadas como enormes labaredas iradas embebendo a luz translúcida da coroa. A atenção de qualquer pessoa acaba por ficar presa à magnificência do espectáculo até que, repentinamente, o sol reaparece. A aurora repete-se num curto espaço de poucos segundos e o mundo parece retornar novamente à vida.

O primeiro eclipse de que há registo foi o que ocorreu em 22 de Outubro de 2136 AC e que foi referido no antigo clássico chinês Chou King ou Livro da História.

Mas os eclipses devem ter sido observados ainda antes deste, pois consta que os dois astrónomos oficiais nessa época foram apanhados de surpresa por aquele acontecimento, com o resultado de não terem tido tempo suficiente para procederem à preparação dos ritos habituais. Estes constavam de procedimentos tais como bate
r em tambores e gongos, atirar setas para o céu e provocar um tumulto enorme com a intenção de afastar o monstro que ameaçava devorar o sol.
Apes
ar do facto de o sol ter-se recuperado deste ataque, os dois astrónomos foram executados devido à sua negligência. Há ainda registo de vários outros casos de uso de rituais para afastar a ameaça ao sol, não só entre os chineses mas também entre os hindús. Em algumas culturas chegaram a ser levados a efeito sacrifícios humanos.

Um caso particularmente interessante, já nos tempos modernos, é relatado numa carta dirigida ao Philadelphia Inquirer relativamente ao eclipse de 29 de Julho de 1878:

Foi a visão mais portentosa a que já pude assistir mas assustou terrivelmente os índios.
Alguns de entre eles lançaram-se de joelhos e invocaram a protecção divina; outros prostraram-se de rosto no chão; outros berraram e choraram de puro terror. Finalmente, um indivíduo saiu por uma porta, de pistola em punho e, fixando os olhos no sol obscurecido, murmurou algumas palavras ininteligíveis, e erguendo os braços acima da cabeça, apontou à luminária, fez fogo coma arma e, após ter gesticulado, de forma extraordinária, com os braços erguidos, retirou-se para o interior da casa. Isso aconteceu precisamente no momento em que tudo terminou
.”

Os eclipses solares são geralmente muito curtos e a fase total não pode durar mais do que 8 minutos. É precisamente a natureza efémera deste acontecimento que parece promover o uso de um qualquer tipo de ritual. Assim que a sua demonstração tem lugar, o “monstro” retira-se e o eclipse termina. Preceitos assim tão eficazes são obviamente relembrados e usados tão só a ocasião se repita.

Actualmente toda a gente espera que as previsões sejam precisas à fracção do segundo porque compreendemos os princípios físicos subjacentes e já todos conhecem os movimentos do sol, terra e lua em pormenor.

Na história do eclipse chinês, há a inferência de que os astrónomos deveriam ter tido conhecimento antecipado e há, portanto, razão para crer que as previsões básicas eram possíveis devido ao ciclo repetitivo dos eclipses conhecido como Saros.

Os Babilónios, c
onhecidos entre outros motivos pelo avanço dos seus conhecimentos na área da matemática, descobriram que havia um Saros ou ciclo de 223 intervalos entre luas novas, após o qual ocorrem eclipses do sol e da lua. Se um eclipse for visto num determinado dia, então é certo que irá ocorrer outro 18 anos, 10 dias e 7 horas depois, e que irá ser visível do mesmo lugar, mas que não terá a mesma aparência.

Em média ocorrem 41 eclipses no ciclo Saros, e cada um deles será seguido de outro precisamente 18 anos mais tarde.
O Saros era certamente do conhecimento dos Chineses que deviam tê-lo usado para determinarem as datas dos eclipses. O primeiro exemplo documentado do uso do Saros foi a previsão do eclipse de 28 de Maio de 585 AC por Tales de Mileto, o cientista e estadista grego, mas não existem dúvidas de que o método fora usado antes deste.

Obviamente, a capacidade de previsão era um forte instrumento de poder nas mãos dos astrólogos, e as suas leituras do céu eram correlacionadas, de modo variável, com desastres naturais, mortes, guerras e o desagrado dos deuses.

Em tempos
mais recentes, outros usaram os seus conhecimentos sobre os eclipses com amplos resultados. Sir Arthur Helps, na sua “Vida de Colombo“ (1910), relata a história de como o explorador usou o eclipse lunar de 2 de Abril de 1493 para obter provisões, dos habitantes da Jamaica. De início relutantes em ajudar, foram por ele ameaçados com a vingança divina, “…pois naquela mesma noite a luz da lua haveria de apagar-se”. Os nativos encheram-se de medo e, durante o eclipse foram ter com Colombo pedindo a sua intercessão _ com o inevitável resultado de a lua lhes ser devolvida, e o aprovisionamento deixar de ser um problema.
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A única diferença entre os eclipses solares e os lunares, no que respeita à sua previsão e observação, é que um eclipse solar total só pode ser visto numa estreita faixa da superfície terrestre que é percorrida pela sombra da lua durante o tempo de duração do eclipse, e que só pode atingir as 150 milhas de largura. Os eclipses lunares podem ser observados pela totalidade do hemisfério terrestre que estiver voltado para a lua.
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Seria de esperar que a possibilidade de ter conhecimento detalhado sobre os processos que estão na base da ocorrência dos eclipses erradicassem alguns dos receios que os acompanham, mas os testemunhos recolhidos pelos antropólogos modernamente parecem refutar tal ideia. Parece que a reacção primária a uma perturbação natural de grande dimensão, como é um eclipse, ainda envolve uma considerável dose de genuíno medo." (em: Atrothon _ trad. de m.m.)

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teddy


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