...ditos, mitos & ritos...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Dia das " Maias "...

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DIA DAS "MAIAS"
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..........Pois lá passou mais um "dia de Maias", assim se chamava ao 1º dia de Maio, quando na realidade toda a acção que tal envolvia se desenrolava de véspera, para conseguir arranjar as ditas "maias", procurando os ramos de giestas amarelas nas "bouças" ou quintas das imediações ou, já mais tarde, comprando nas mercearias ou frutarias que já as tinham à venda, em grandes molhos, trazidas por quem já se dera a tal trabalho. Isto passava-se em território da minha infância...um ritual que se foi diluindo com o tempo e com outras (des)crenças, festividades e celebrações. E era grande o afã, verdadeira ansiedade, de não ficar esquecido postigo, janela ou qualquer ponto mais esconso que pudesse dar entrada ao "carrapato", "mafarrico" ou sabe-se lá o quê, mas que enchia a boca das "criadas" e a imaginação dos "pequenos".

..........Para acrescentar alguma informação mais esclarecida sobre o assunto, fui procurar ajuda e deixo aqui algumas das notas que encontrei, não querendo sobrecarregar uma leitura leve:
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Dia das "Maias"


..........«O dia das "Maias" é o primeiro de Maio, que desde tempos imemoriais se comemora em Portugal e assume diversas formas celebrativas de Norte a Sul. No Minho, Douro Litoral e Beira Litoral (seguindo a lição de Ernesto Veiga de Oliveira- quem mais completamente estabeleceu o painel maiático, reolhendo maieiticamente contribuições parcelares anteriores - in "Comércio do Porto", de 13 de Maio e 24 de Junho de 1958) , a essência festejante está na aposição de giestas (por antonomásia "maias"), às vezes de outras flores, nas janelas, nas frestas ou aldrabas das portas, nos currais, em cancelas, nos próprios animais, nas lojas de artífices, e em camionetes, locomotivas, passagens de nível, barcos e traineiras, ostentando rapazes e raparigas, com as orelhas floridas, os seus melhores trajos. Em Trás-os-Montes, além de se enfeitarem as portas das casas com flores de giestas, as raparigas adornam um menino que dizem representar o "Maio-moço" e passeiam-no pelas ruas com grande ruído alegre, cantando e bailando em volta dele (Abade de Baçal). Na Beira-Alta e na Beira-Baixa (embora nesta apareça excepcionalmente um boneco de palha) são também rapazes ataviados de giestas quem personifica o "o Maio", retouceiro e sátiro, centralizando o peditório cerimonial em dinheiro ou castanhas.Na Estremadura, a "Maia" é uma rapariguinha adereçada com flores que percorre as ruas da povoação acolitada pelas companheiras. Nas províncias do Sul a pessoalização também é normalmente feminina. Assim no Alentejo, com particular incidência em Beja. Aqui as "Maias" são meninas que vestem de branco e enfeitam com flores, pondo-lhes na cabeça um coroa de mais flores, e sentando-as em cadeiras, à esquina de alguma rua, nalgum largo ou junto à porta de sua casa. Em seu trono enfeitado de rosas se aquietam algumas horas, enquanto companheiras mais crescidas, com pequenas bandejas na mão, pedem a quem passa: "-Meu senhor, um tostãozinho para a 'maia'!"; ou "Um tostão para a Maia- que não tem saia!" (Manuel Joquim Delgado). No Algarve, em quase todas as casas é costume arranjar-se um grande boneco de palha de centeio, farelos e trapos, que depois vestem de branco e cercam de flores. É a "maia" colocada à vista de quem passa, e em volta da qual se fazem bailes e descantes (Reis Dâmaso)»
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José Quitério, "As Maias" in "Manjares Rituais em Portugal", cap. III do
LIVRO DE BEM COMER (Assírio & Alvim, 1987)
(Publicada por manueladlramos em 1.5.06 )

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